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Cultura do amendoim: análise da safra 2025/2026 e perspectivas

POR Roberta Marchioti, 05 MAIO, 2026
05 MAIO

A safra 2025/2026 de amendoim caminha para sua finalização, com aproximadamente 80% da área já colhida. Os resultados consolidados até o momento indicam um incremento de produtividade em relação à safra anterior, reflexo, em grande parte, de uma condição climática mais favorável ao desenvolvimento da cultura durante fases críticas como florescimento e enchimento de grãos.

Entretanto, é importante destacar que houve uma redução significativa de área plantada, estimada em cerca de 30 a 40% quando comparada à safra passada. Esse fator impactará diretamente o volume total produzido, resultando em uma oferta global inferior, mesmo diante de melhores produtividades médias.

Do ponto de vista climático, a safra foi caracterizada por boa regularidade de chuvas na maior parte das regiões produtoras. Contudo, ocorreram veranicos pontuais, especialmente em algumas áreas do estado de São Paulo, que comprometeram o potencial produtivo em determinados talhões, gerando variabilidade de rendimento entre regiões e propriedades.

No cenário de mercado, observa-se um ambiente desafiador. A valorização do real frente ao dólar, com a moeda norte-americana operando próxima a R$ 5,00, reduz a competitividade do amendoim brasileiro no mercado internacional, uma vez que a commodity é precificada em dólar. Considerando que historicamente cerca de 50% da produção nacional é destinada à exportação, a atual retração da demanda externa tem gerado lentidão nas negociações e acúmulo de oferta.

No mercado interno, o comportamento também é de cautela, com baixa liquidez e atuação restrita de compradores. Os preços pagos ao produtor refletem esse cenário, situando-se atualmente entre R$ 70,00 e R$ 75,00 por saca de 25 kg em casca, para lotes com rendimento superior a 19 kg, podendo variar conforme qualidade, padrão de classificação e logística.

Outro fator relevante é o aumento expressivo dos custos de produção nas últimas safras, impulsionado principalmente pelo encarecimento de insumos, operações mecanizadas e defensivos agrícolas. Associado a isso, muitos produtores ainda enfrentam dificuldades financeiras decorrentes de duas safras anteriores marcadas por condições climáticas adversas, especialmente estiagens severas, que comprometeram a produtividade e a rentabilidade.

No âmbito fitossanitário, a safra atual reforçou um ponto de atenção importante: a crescente dificuldade no controle da pinta preta, principal doença foliar da cultura. Observações a campo e resultados preliminares de ensaios conduzidos pela Camda indicam redução de eficiência de alguns fungicidas tradicionalmente utilizados, sugerindo possível desenvolvimento de resistência por parte do patógeno.

Diante desse cenário, a área técnica da Camda vem intensificando estudos e ensaios regionais, com foco na reavaliação de programas de manejo, incluindo rotação de ingredientes ativos, posicionamento estratégico de aplicações e adoção de novas tecnologias. A expectativa é que, para a próxima safra, sejam implementadas atualizações nas recomendações técnicas, visando restabelecer níveis adequados de controle e garantir maior estabilidade produtiva.

Em síntese, a safra 2025/2026 apresenta um desempenho agronômico satisfatório em produtividade, porém inserido em um contexto econômico e fitossanitário desafiador. O momento exige do produtor uma gestão ainda mais criteriosa, tanto no planejamento técnico quanto financeiro, além de forte alinhamento com assistência técnica qualificada.

A Camda segue atuando de forma próxima ao cooperado, investindo em pesquisa, validação de tecnologias e geração de informações técnicas, com o objetivo de apoiar a tomada de decisão e contribuir para a sustentabilidade e competitividade da cultura do amendoim na região.