O cenário atual da cultura do amendoim no Brasil acompanha uma fase de transição. As empresas estão com um volume significativo de amendoim em estoque e iniciaram o processo de descascamento, classificação e blancheamento, preparando os grãos para exportação. No entanto, o mercado de exportação encontra-se desafiado pela desvalorização do dólar, que recuou para R$ 4,90, impactando negativamente os preços no exterior.
Sabemos que se não exportar não consumimos toda nossa produção e isso impacta diretamente no valor da saca de amendoim.
No mercado interno, os valores seguem entre R$ 70 e R$ 75 por saca de 25 kg em casca, sustentados pela demanda sazonal da festa junina, que impulsiona o consumo interno via indústrias de doces. Enquanto alguns negócios seguem, a exportação, no momento, está limitada e precisa melhorar o preço em dólar por tonelada de amendoim em grãos, para um valor mais competitivo. Isso faz com que as empresas priorizem o mercado interno, deixando o produtor com pouca margem de rentabilidade, apesar de uma safra superior à anterior, com clima mais favorável, resultando em boas produtividades com boa qualidade.
No cenário internacional, a Argentina, nosso principal concorrente, enfrenta desafios na colheita, com chuvas intensas e temperaturas baixas, com muitas previsões de geadas.
A safra argentina diminuiu em 100 mil hectares, fechando perto de 400 mil hectares, contra 510 mil na safra anterior. Caso o clima não se recupere, o volume de amendoim argentino será menor, o que pode favorecer o amendoim brasileiro, abrindo espaço para uma recuperação de preços nos próximos 30 dias. Acreditamos que, até julho, o mercado pode apresentar sinais positivos, caso a colheita argentina enfrente dificuldades. Acompanhem o informativo técnico da Camda pois continuaremos atentos aos próximos desdobramentos.
Rodolfo Ribeiro
gerente amendoim

